Idéias Estranhas


Da série crônica e solteira: encontrei meu calango manco.

Você está caminhando numa mata, é o fim de uma tarde de outono, o sol está oblíquo, a temperatura está caindo, um vento úmido provoca leves calafrios, vuuush vuuush... As folhas das árvores e a grama no chão está seca, O vento balançando as copas das árvores, bem acima de sua cabeça e as folhas que já caíram fazem um muito barulho shhhclt shhhclt shhhh e compõem com o som dos seus passos nas folhas secas, clect clect, clect...
Raios de sol ainda ultrapassam a folhagem e produzem focos de luz amarelada no chão.

No chão, uma folha especialmente iluminada, você se agacha pega a folha, enquanto levanta um vento mais forte e mais frio levanta seus cabelos e a folha agora está bem perto do seu rosto, ela tem cheiro de terra. Essa é a cor dos olhos dele!

Óquei, agora podem me chamar de ridícula, eu saio andando com a minha folha na mão e nem me importo.....



Bem, vocês se lembram de um textinho em que eu estava de vestido de bolinhas no fim de uma festa imaginando onde estaria um tal garoto q provavelmente estava com a ex ex namorada?

Muitas águas se passaram nesse rio desde então, e depois de alguma sordidez, um pouco de raiva e finalmente bastante carinho (e nada a ver com manjerona, só para deixar claro) agora ele é meu amigo, confidente e cúmplice.

O menino dos olhos amarelos eu conheci em um parque ecológico, ele trabalha lá. Esse fim de semana teve um evento de vídeo arte nesse parque e os olhos amarelos estariam lá. Eu precisava de um apoio moral, e é para isso que servem os amigos-confidentes-cúmplices, certo? Fomos os dois.
Enviei esse texto para esse amigo (que por causa de algumas gotas de água do rio supracitado não poderia entrar nesse blog) rir de mim um pouquinho e ele fez algumas alterações colocando o ponto de vista dele sobre o episódio.

Acho que vale a pena publicá-lo em anexo, considerando a nova abordagem, a título de enriquecimento:



Você está caminhando numa mata, é o fim de uma tarde de outono, o sol está oblíquo, a temperatura está caindo, um vento úmido provoca leves calafrios, vuuush vuuush... As folhas das árvores e a grama no chão está seca, O vento balançando as copas das árvores, bem acima de sua cabeça e as folhas que já caíram fazem um muito barulho shhhclt shhhclt shhhh e compõem com o som dos seus passos nas folhas secas, clect clect, clect...

Raios de sol ainda ultrapassam a folhagem e produzem focos de luz amarelada no chão.
No chão tem uma folha especialmente iluminada, você se agacha pega a folha, enquanto isso um carrapato caminha em direção ao seu dedo... você leva a primeira picada, enquanto isso outros carrapatinhos caminham pela sua perna e você é comido vivo, aos poucos, coça coça coça...

Óquei, agora podem me chama de nojento, eu saio andando com os carrapatinhos no corpo e nem me importo.....







Escrito por Simone às 13h09
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Micos são utilidades públicas, existe cancelamento E bloqueio de cartão de crédito.

Domingo, às 20 horas e 37 minutos


- Boa Noite em que posso ajudar?

- Oi, boa noite, eu acredito q perdi o meu cartão de crédito, gostaria de bloqueá-lo.

- Qual é o nome da Senhora?

- Simone... de Arruda Peixoto.

- Ok Sra Simone, numero da conta, agencia e blá blá blá..

- 51 14...blá blá blá, blá blá blá, blá blá blá...

- ok, qual foi a última compra que a senhora fez com o cartão?

- ah, foi ontem a noite, acho q foi uns 16 Reais...

- ok, Hoje as 4:12 da manhã, 16 Reais e 50 centavos, no Bar do (pausa)..... Zé? (interrogação)
(juro para vocês que ele fez mesmo e pausa e essa pergunta)

- Isso, isso mesmo, Bar do Zé.

- A senhora gostaria de cancelar o cartão e fazer o pedido de um novo?

- putz... Quantos dias vai demorar para o outro ficar pronto?

- De 6 a 7 dias úteis senhora.

- Ahhh, que merda! Eu não poderia só bloqueá-lo e se eu encontrar eu desbloqueio? Eu acho q sei onde pode estar.

- Só um minuto.
(eu acho que ele fechou o microfone para dar risada nesse ponto)

- Existe sim esse serviço, mas não é tão seguro, é pouco provável, mas é possível que se alguém tentar fazer uma compra com o seu cartão ele consiga.

- Sei... (eu e a minha mania de pensar alto) é que eu acho que perdi no carro de uma pessoa, tenho quase certeza, mas não estou conseguindo encontrar... a pessoa...

SILÊNCIO
(o microfone do cara desligado!)

- Vamos fazer assim, hoje é domingo, pedir um novo cartão hoje não faz diferença, vou tentar encontrar essa pessoa até amanhã, se eu não encontrar ligo e cancelo, por enquanto vou só bloquear mesmo, tudo bem?

- Ok Sra Simone, repita para mim, o número do sei lá o que , sei lá o que... e mais blá blá, blá blá, blá blá...

- blá blá, blá blá, blá blá, blá blá,

- ok sra Simone, seu cartão está temporariamente bloqueado, boa noite.
- Boa noite, obrigada.


Escrito por Simone às 13h58
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Da série crônica e solteira - um pouco de pouco a pouco

Ele é um pouco de jonas tão pequeno que se perde em seus 1 metro e 80 e 4 centímetros.

O sorriso dele é uma vírgula, um sinal gráfico sem som que quase significa uma pausa para respirar.

E seu desenho é tão lindo e tão gráfico que me comove e o desenho que ele faz também é.

Acho melhor eu continuar sem conhecê-lo, por que nesses dias tenho a impressão que me apaixonaria até por um calango manco.

Escrito por Simone às 02h27
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Da série crônica e solteira - Feijoada com manjerona

Eu me sinto como que cuidando de uma horta, cultivando lentamente várias coisinhas que crescem um pouquinho, às vezes secam, ficam mirradinhas, outras vezes quase morrem, e tudo vai vivendo ali paralelamente, lentamente.... Algumas vezes eu jogo umas sementinhas, outras vezes a mudinha já vem pronta, tem até algumas que brotam ali sem eu nem perceber. Tem que se tomar cuidado, para o manjericão não matar a alface.

Eu tinha uma mudinha de manjerona, ela foi mirrando, mirrando, ficou só um talinho seco e marronzinho, já não dava mais muita coisa por ele, até esqueci lá no canto, eis que então ele resolveu reagir, brotou uma folhinha, outra, quando vi já estava todo frondoso de novo, e eu que já nem me lembrava mais nenhuma receita com manjerona fiquei meio perdida, sem saber o que fazer com ela.

Bem, daí eu tive intentar. Algum dia todo mundo já deve ter feito algo assim, como feijoada com manjerona, é estranho, mas não é intragável.

Escrito por Simone às 01h16
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De série crônica e solteira - O que Tornatore diria?

Por que quando as coisas começam a ficar muito fofinhas com alguém, dá uma medo, e porque o carnaval chegou e quando você encontra aquele carinha da balada SKA num bloco de carnaval de rua (e essa é uma situação absolutamente improvável) com aquela cara de "hoje eu não vou deixar você escapar" , bem, quando isso acontece se torna uma oportunidade imperdível.

No climinha romantico do quarto dele nos fundos da casa achei estranho quando o CD que ele escolheu começava com "the clash", mas tive mesmo que rir quando no meio da coletânea começou a tocar "sabotage", ri por que me diverti com a coerência daquele quarto e a incoerência da minha presença ali. Ufa! era isso que eu precisava, me senti livre!

De manhã ele tinha um limoeiro no quintal e eu que gosto muito mesmo das improbalibilidades, das surpresas e das inconsequencias (veja Orkut - primeiro encontro ideal) voltei para casa no sol das 2 da tarde cantando ridiculamente "meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá...."

Na noite seguinte, fugindo das marchinhas de carnaval, porque isso tem que ter um intervalo, na balada da banda do baixista do Fugazi não era improvável que eu encontrasse por lá o dono do limoeiro, também não era improvável que à 1 da manhã, quando eu cheguei, ele já estivesse com alguém. Cumprimentei ele com um sorriso com gosto de liberdade no rosto, me senti leve.

Improvável era que ela fosse embora sozinha e antes dele, estranho mesmo.

Bem, eu fui jogar uma sinuquinha fim de noite. Passei por ele na porta quando saía e na despedida ele segurou minha nuca e um beijinho, na trave.

E porque estou sozinha, me sinto livre e é assim que eu quero estar um sorrisinho de lado voltou no meu rosto quando me lembrei do "sabotage", do limoeiro e da mão dele. Alguns metros depois, voltando pra casa a pé depois de passar por um resto de bloco de carnaval de rua escapou até um suspiro. Está tudo bem, Estamos todos bem!



Escrito por Simone às 18h35
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De série crônica e solteira - Carta de agradecimento à mãe de um garoto.

Agradeço de verdade por toda surpresa que eu tive com o seu garoto.Pelo olhar devotado e admirado que me fez sentir linda como há muito tempo eu não sentia, e pela surpresa de tê-lo sentido pelo olhar de um garoto de 19 anos!Obrigada por ter ensinado a ele como ser gentil, delicado, carinhoso e faminto, por esse sentido de liberdade tão delicioso que ele tem.

Por que sei que tem coisas que ele só pode mesmo ter aprendido com uma mulher e com a convivência de muitos anos com ela, não com outro homem ou com nenhuma menina. Obrigada mesmo!

Vamos nós duas agora torcer para que ele encontre sempre mulheres que saibam enxergar a beleza e a delícia do seu olhar e da sua sede. Que não sejam apáticas e passivas, das que exigem cuidados como se isso fosse uma obrigação e não prazer, por que ele é bem capaz de se esquecer de si mesmo. Por que agora ele já está de volta no mundo.

 

Muito atenciosamente,

Simone Peixoto



Escrito por Simone às 15h12
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Da série crônica e solteira - Instabilidade Segura

No cineminha da semana passada tinha um história de amor babaca.


Quando o mocinho decide que ela é o amor da vida dele e resolve voltar atrás eu olhei para a poltrona ao lado e lá estava o meu mocinho daquela semana. Gentil, lindo, carinhososo, novinho e cheio de idéias. Só por aquela semana, talvez só mais aquela noite, com sorte mais algumas outras daqui algum tempo.
Nada a ver com amor, predatório, descartável e delicioso, por hora.
Estou segura e vou em frente, pé ante pé, sozinha como quero estar.


Não por isso ele deixou de enxugar na camiseta as minhas lágrimas por não querer e não ter uma amor me esperando em casa.
Um bom mocinho aquele, não fez perguntas.



Escrito por Simone às 11h34
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Da série: Crônica e solteira - imaturidade insône

Já era a terceira noite dele em casa, um garoto, dez anos mais novo, não quero pensar nisso, era lindo e nem um pouco indefeso. Senti de leve que aquela noite podia ser que eu não fosse dormir tão bem. Não por ele, não por nada, a insônia não precisa de motivos.

Antes de apagar a luz vi que a porta do armário stva aberta, quase por acaso olhei para dentro, lá de dentro ela olhou para mim. Senti um aperto, uma coceirinha no nariz, minha sombrancelha franzir, teve um gemido meio choroso, de pura manha, ele ouviu:

"- O que foi, tudo bem?"
"- Tudo, mas vou te contar um segredo. Eu durmo com uma raposa de pelúcia."

Num pulo eu peguei ele do armário, um pouco sem graça porque, é claro, eu não tinha roupas.

"- Ah, que gracinha, e ele tem nome?"
"- Não, não tem nome."

Mas era mentira.

Escrito por Simone às 13h46
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Da série Cultura (In)Útil

Depois de grandes manifestações sobre o post abaixo, pedidos vindos de todos os rincões dos mundos e submundos conhecidos e desconhecidos, venho através deste, lançar um pouco de luz sobre a presumida inocência (oh coitada!!!) da Simone:

TD - Teste Drive - trepada, teste de pilotagem 

Em suma, aquilo que todo mundo gosta, de um jeito ou de outro, fazer entre 4 parede (ou não) com 1 ou mais pessoas, sendo do mesmo ou do outro sexo (escolha é do freguês).

Diz-se que o 1º TD é muito importante para que 2 pessoas possam vir a fazer um 2º TD.



Escrito por PH - Informações (in) úteis. às 13h32
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Da série: Crônica e solteira - quando amanhece e ainda é ontem

Nos beijamos no fim da balada, um beijo de despedida, nas palavras de uma amiga, foi cinematográfico.

Combinamos um cineminha no dia seguinte, uma comedinha inglesa simpática, num cinema antiguinho e minusculo numa galeria no centro da cidade.

Um chazinho em casa, sopa de pacotinho, muitas horas de conversa descomprometida, muitas risadas e muito mais sorrisos. Só quando amanheceu nos abraçamos e depois dormimos, uma noite incrível, uma manhã inacreditável.

E um bilhetinho sorrateiro no compartimento de moedas da carteira dele:
"Você é uma delícia"

Escrito por Simone às 13h48
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crônica e solteira

Decidi que não vou decidir nada, vou continuar postando o que já vinha postando mesmo!
No melhor estilo "meu umbigo é o centro do Universo"
è isso que tenho escrito, coisas academicas e cabeçudas e textinhos apaixonados e entusiamasdos com essa nova, inédita e surpreendente fase da minha vidinha, A Solteirice.
Resolvi dar um nome e continuar assim mesmo.
Crônica e solteira.

Com vocês o próximo texto da Epopéia:

Balawa post coitum:

A melhor hora do dia foi a sobremesa. Naquele restaurante sírio
delicioso, a mesa na varanda, Balawa, massa folhada e nozes. O corpo
amolecido, úmido e desperto pela noite anterior. O sol cálido e a
brisa fresca, o dia estava lindo e a vida estava boa.

Do outro lado da mesa uma amiga que havia acabado de encontrar e que
já não sabe mais de todos os segredos e ao meu lado o homem com quem
passei a noite e a manhã toda na cama e que ninguém mais pode saber.

As lembranças ainda muito recentes fizeram meu corpo todo enrubescer.O gozo infantil e transgressor que temperaram as horas anteriores na
minha cama voltaram aos meus lábios num sorriso irônico.



Escrito por Simone às 21h52
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I'm not dog no!

Mas e então, quanto vale uma maldição? E chutar cachorro morto? E a zoofilia, quanto vale?

Nesse mundo de meu deus, quem maltrata os animais nesta dimensão tem pagar pelo crime. Nos intermeios deste com o mundo paralelo, rola maldição braba que pega, arrasta e leva até o altar (altar?) pra se livrar dela.

Pois então, é isso mesmo: Altar!!! Você leu direito, acredite.

Acreditou? Então reflete comigo:o cara aí debaixo matou os cachorrinhos de maneira hedionda e tem mais é que pagar pelo crime, certo? Certo. Certíssimo. Aliás, nada mais certo que isso. Mas o que diabos tem a cadelinha a ver com os infortúnios do futuro cônjuge? Com mil cachorros, por que ela tem que se ver obrigada a consumir o matrimônio e, ainda, quiçá, consumar as bodas? Ninguém parou pra pensar nisso não? Agora além de matar dois cachorros ele ainda vai estuprar mais uma.

É, é como diria Arnaldo Antunes: bactérias num meio é cultura.

Homem celebra casamento com cachorro em cidade da Índia

Muitos animais são considerados sagrados na Índia. Mas o indiano P. Selvakumar levou a crença ao extremo. No último domingo, ele celebrou seu casamento com uma cadela chamada Selvi, em Manamadurai, a 470 quilômetros da cidade de Chennai, na Índia.

Selvakumar casou-se com o animal em uma tradicional cerimônia hindu, como uma tentativa de ser perdoado após ter apedrejado dois cachorros até a morte.Segundo a cultura indiana, ele foi amaldiçoado após cometer o crime contra os animais.

Fonte>> http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2007/11/13/homem_celebra_casamento_com_cachorro_em_cidade_da_india_1079917.html



Escrito por José, o imblogável às 16h01
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Ela é isso aí

Tem gente que não sabe o que faz, mas mesmo assim, faz. E tem gente que faz tudo pra aparecer, pra achar bonito, pra estar no auge do padrão estético atual jurando que não é padrão, é vanguarda. Esses geralmente nem mesmo sabe o que significa estética, atual, padrão e quem dirá vanguarda.

Verdade seja dita: a coca-cola sempre foi vanguarda. E sempre esteve no auge da estética pop do momento, mais que qualquer hollywood o sucesso da vida.

Homem descobre após 26 anos que tatuou marca de refrigerante no peito

Vince Mattingley, 44, fez uma tatuagem em chinês há 26 anos e só descobriu há alguns meses, durante uma viagem à Tailândia, que os ideogramas significam "Coca-Cola"

O homem havia feito a tatuagem após pedir a um dos funcionários de seu restaurante chinês predileto que escrevesse seu nome em chinês. O garçom engraçadinho escreveu o nome do refrigerante e Vince acabou tatuando-o em seu peito.

O britânico, que trabalha como tatuador, veio a descobrir o significado da tatuagem quando uma garçonete tailandesa perguntou porque ele havia escrito "Coca-Cola" no corpo.

Mattingley declarou ao tablóide inglês "The Sun" que pensa em cobrir a escrita com outra tatuagem em estilo oriental.

http://minhanoticia.ig.com.br/materias/462001-462500/462225/462225_1.html



Escrito por José, o imblogável às 17h30
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Publicações Externas

Gostei tanto que resolvi publicar aqui. Achei três vezes interessante. É a vida, não é minha gente? É bonita e é bonita, e é reflexiva...

O poder e o sagrado

É o sagrado que mantém os homens voluntariamente escravos, e por isso a propriedade privada pode ficar livremente sob o domínio daqueles que se colocam no lugar de Deus. É sabido de muito que os primeiros mercados foram sagrados, que os primeiros bancos foram templos e que a primeira emissão de dinheiro foi feita pelos sacerdotes ou pelos reis-sacerdotes. Dessa forma, ficam mais claras as relações entre o dinheiro, o sagrado e o poder.

A derradeira categoria da economia é, pois, o poder, mas ela não é uma categoria econômica. É uma categoria do Sagrado, em primeiro lugar. O privilégio social nasceu a partir da queda do homem, quando ele começou a trabalhar. E a trabalhar para um senhor e a se auto-impor os seus grilhões para expiar a sua culpa. E são as lutas pelo poder, portanto, que fazem as repressões sobre o corpo humano, e que, dessa forma, o fabricam.

A primeira dimensão do poder é o dinheiro. Mas este é, antes de tudo, inútil. Para entendermos isso, seria preciso que Marx tivesse construído uma ciência dos valores de uso, dos valores essenciais ao ser humano, e não só dos valores de troca, dos excedentes.

Em decorrência de que só os valores excedentes do uso se transformam em dinheiro, o desejo de ter mais do que se necessita alterou o valor das coisas e, portanto, a distinção entre o necessário e o supérfluo. Por isso a neurose está relacionada com o excedente econômico. O luxo, afirmam tanto Thoreau como Platão, é o pior dos empobrecimentos, porque é um empobrecimento do ser. A tendência a produzir o excedente no seu princípio foi fruto da coerção da classe dominante, que se apropria dele. E esta é a que menos desfruta daquilo de que se apropria. È da sua competição que nasce o progresso tecnológico. Por um lado, a classe dominante erotiza a morte quando compete entre si indefinida e ilimitadamente. Por outro lado, o trabalho erotiza a morte quando trabalha compulsivamente.

E assim se pode entender a busca do dinheiro como uma analidade sublimada: é tomar excremento por alimento, mas alimento que sempre continua excremento; é tomar a poeira por divindade, o fantasma por posse, o pesadelo por vida. Desse modo, o complexo de superfluidade invadiu e corrompe o consumo humano: o complexo anal regride para o oral e se funde com ele. Daí a exigência interminável do consumidor de bens de que não precisa, mas também da demanda em que o alimento assume forma de superfluidade, isto é, sofisticação.

Essa perversão neurótica das necessidades tem seu embrião nas sociedades arcaicas, mas é em nossa civilização de poder que toma corpo. O que a elegante lei da oferta e da procura significa é o grotesco de um animal que confundiu excremento com alimento e não sabe disso, e que, como na sexualidade infantil, não procura alvo concreto algum, a aquisitividade não tem nenhum limite. Daí a publicidade ter o poder de criar desejos supérfluos e irracionais. É ela que alimenta a economia de mercado. Se os homens só consumissem o essencial, a sociedade de consumo entraria em colapso.
Com a transformação daquilo que não tem valor em preço, bem como daquilo que não se come em alimento, o ser humano adquire uma alma, isto é, não vive só de pão. Passa a ser o animal que sublima. A tendência a sublimar é a mesma que leva a produzir o excedente econômico.

Marx, para explicar o progresso tecnológico e a historicidade do homem, atribui a ele uma estrutura psicológica que nunca se satisfaz. No homem, uma necessidade gera sempre outra necessidade, o que faz dele um ser eternamente inquieto e infatigável, e, portanto, sem possibilidade alguma de alcançar a felicidade, eternamente infeliz. E é ele mesmo que afirma, no segundo volume de O capital, que, se à acumulação se substituir o gozo, o capitalismo explode. Só que Marx, ao desconhecer o inconsciente, é incapaz de orientar os seres humanos para o gozo! Por isso, quando todas as igrejas colocam o pecado supremo, o "pecado sem nome", na sexualidade e suas transgressões, têm muito mais razão do que pensamos. Para quem santifica o poder econômico, o maior pecado é, sem dúvida alguma, o gozo.

LIVRO: Textos da Fogueira
Rose Marie Muraro
Editora Letraviva  >>>
http://www.siciliano.com.br/livro.asp?orn=LMA&Tipo=2&ID=231095



Escrito por José, o imblogável às 13h11
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Psycho House! Qu'est que c'est?

As casas são imóveis. Isso é um fato. Mas deve ser um saco ser imóvel.

 

Aliás, pensando, será que elas cansam de ficarem lá paradas, estáticas? O que será que esperam da vida? Uma reforma ou quem sabe ao menos uma pintura? Que do outro lado da rua seja construída uma bela casa para elas ficarem lá se admirando eternamente, até que a demolição as separe?

 

Serra que elas sofrem dos nervos com os donos neuróticos chafurdando dentro delas, dando aquela sensação de que comeram um vespeiro? Elas sofrem desesperadas com isso? E será que nesses momentos de desespero as casas têm vontade de fugirem de casa? Picarem a mula pra beira mar e virarem uma casa de veraneio?

 

Mistérios. Respostas só depois que elas começarem a falar.

 

 

Casa fica presa na beira da estrada e dona tem ataque de nervos

 

Uma casa que ficou presa por dez dias no acostamento de uma movimentada estrada de Los Angeles foi, enfim, retirada pela polícia americana. A residência estava sendo transportada quando colidiu em uma ponte.  Vândalos picharam o imóvel nos dias em que ficou parada na beira da rota 101.

A casa térrea foi parar no local em 15 de setembro, quando bateu em uma ponte durante o trajeto de Santa Monica para Santa Clarita. O trailer que rebocava a casa foi retido na colisão e o teto da casa ficou bastante danificado. Kimberly Bigman, uma das proprietárias da casa, disse que estava se recuperando de um colapso nervoso sofrido após os problemas com a mudança. Segundo ela, talvez receba uma multa de mais de US$ 20 mil (quase R$ 40 mil).

Fonte> http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL143958-6091-550,00.html

 



Escrito por José, o imblogável às 12h08
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